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Até onde a vista alcança? Os superprédios de Fortaleza

Data da publicação: 2 de junho de 2026 Categoria: CRÔNICIDADES

Por: Gleilson Angelo da Silva

Eles estão modificando a paisagem da 4ª cidade mais populosa do país e alterando significativamente o termo: “o céu é o limite”. Cada vez que um destes novos gigantes surge é mais uma agulha que se destaca no palheiro em que se transformam os edifícios já existentes, cujos pavimentos não superam 40 andares. Desde o início da utilização das chamadas Outorgas Onerosas (tanto de alteração do uso do solo como a do Direito de construir acima do permitido), estes novos edifícios se sobressaem à paisagem construindo um novo skyline, ou seja, aquele desenho de perfil das principais edificações de uma cidade. Somente ao final desta década, Fortaleza contará com aproximadamente 22 destes superprédios.

Aliás, esta nova denominação refere-se aos chamados arranha-céus que foram construídos inicialmente em Chicago (final do século XIX) e em Nova Iorque durante as quatro primeiras décadas do século XX, cada vez mais altos e com inovações tecnológicas que permitiram a sua construção. Até meados deste mesmo século, os Estados Unidos dominavam em quantidade de arranha-céus até o aparecimento de outras construções no oriente como os da Malásia e, posteriormente, dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, China, dentre outros. No Brasil, há o exemplo de Balneário Camboriú (Santa Catarina) que, dentre os dez mais altos, mais da metade está localizado lá.

Mas, no que isso impacta diretamente na (re)produção do espaço urbano em uma metrópole como Fortaleza? O processo de verticalização na cidade ocorreu tardiamente se comparado a outras grandes cidades brasileiras, apenas no início da década de 1930. Nas áreas que hoje são as mais valorizadas da capital alencarina, os antigos bangalôs, casarões e palacetes que ocupavam quase um quarteirão aos poucos foram se tornando vizinhos de edifícios com até dez pavimentos (década de 1950), depois vinte, trinta e, quando houve uma escassez de terrenos, estes imóveis começaram a ser demolidos para a construção de edifícios cada vez mais altos. Porém, o que vem sendo observado é que, nesta nova fase de verticalização, os edifícios com até trinta pavimentos também passaram a ser demolidos.

Há várias discussões acerca do real impacto que estes arranha-céus proporcionam para a cidade, tanto no que tange à questão da modernidade, tornando-se sinônimo de progresso (não refletindo o seu real significado) quanto na falsa ideia do adensamento populacional que, além de supervalorizar áreas já consolidadas, aproveita-se de uma infraestrutura existente, além de escancarar a segregação socioespacial, criando uma paisagem  nitidamente construída para o turista e um paredão espelhado que não agrega à cidade e mascara os verdadeiros problemas urbanos. Os discursos acerca da validação destes superprédios estão nas contrapartidas que se transformam em recursos para inúmeras intervenções, mas que não compensam diretamente o valor real dos apartamentos ou o valor da construção acima do parâmetro permitido, de forma que os instrumentos (as outorgas onerosas) são utilizados como cortina de fumaça para valorar e valorizar zonas de interesse pessoal e não social. 

Com números exacerbados como tamanhos dos apartamentos (geralmente um por andar), altura superior a 150 m, 10 vagas de garagem por apartamento, cifras milionárias no preço dos imóveis, a pergunta que se faz é: Quem são e qual o perfil dos compradores? A vista é inegável e o marketing atua para que o bem-estar e qualidade de vida reinem sobre estes imóveis cobiçados pela sua localização para proporcionar aos seus usuários uma sensação de luxo, exclusividade e experiência singular revestido por um design arrojado, inovador e diferente.  

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