Turismo Regional no Litoral do Nordeste Brasileiro
ADAPTADO POR:
Leandro Muniz Barbosa da Silva
leandrombsilva1@gmail.com
Universidade Federal do Ceará
O turismo se expandiu pelo mundo, tornando-se uma poderosa ferramenta de desenvolvimento econômico e social capaz de transformar o espaço geográfico. Seguindo a tendência mundial de expansão da atividade e dada as potencialidades naturais do Nordeste, foram criadas políticas púbicas federais, regionais, estaduais e municipais de incentivo ao turismo na região. Essas políticas públicas voltadas para o setor turístico, apresentam-se como propulsores de desenvolvimento e intensificam a crescente urbanização turística da região, principalmente, na zona litorânea. A melhoria da infraestrutura das cidades e investimentos nos serviços turísticos, influenciaram fortemente o turismo regional por meio da implantação de rodovias, além do nacional e internacional com destaque para o segmento sol e praia.
No entanto, essa integração regional incentivada por esses investimentos constituiu-se desigualmente, visto que os estados componentes do Meio-Norte (Maranhão e Piauí) e Sertão (Ceará e Rio Grande do Norte – litoral oeste) possuem um nível de integração menor, quando comparados à região da Zona da Mata (Rio Grande do Norte; Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia). Este fato pode ser explicado por várias razões, entre elas a própria historicidade colonial, bem como as diversidades e características naturais (Figura 1).
Figura 1 – Divisão do Nordeste em Regiões fitogeográficas
Fonte: ARAÚJO, 2018.
Dessa forma, a pesquisa buscou entender o Turismo Regional, no litoral do Nordeste brasileiro, em suas diferentes regiões fitogeográficas para comprovar a tese da existência de um turismo difuso caracterizado em uma lógica de articulação interestadual litorânea na região.
A reestruturação urbana induzida por investimentos em infraestrutura para o turismo trouxe expressivas transformações socioespaciais para região, na mesma medida, que influenciaram na dinâmica de integração regional através de vias rodoviárias. Além disso, os investimentos em infraestrutura turística – aeroportos, transportes, saneamento, etc – do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (PRODETUR/NE), nos anos 1990, trouxeram à região uma dinâmica turística voltada para a atração do turismo de massa, em especial a nível internacional.
Esses fatores também permitiram perceber a existência de uma dinâmica associada ao turismo litorâneo difuso na região, no qual possui uma dependência das rodovias. Logo, pode-se elencar o desenvolvimento de pontos turísticos (Meio-Norte: Barreirinhas/MA; Parnaíba/PI; Sertão: Jericoacoara/CE; Canoa Quebrada/CE; Tibau do Norte/RN; Zona da Mata: Pipa/RN; Tambaú/PB; Porto de Galinhas/PE; Maragogi/AL; Atalaia/SE e Porto Seguro/BA), capazes de aglomerarem grande parte dos fluxos associados ao movimento turístico de caráter regional que se beneficiaram das intervenções de políticas governamentais, a partir da construção de vias rodoviárias que articulam essas localidades e dinamizam a região (Figura 2).
Figura 2 – Localização geral da Área de Estudo
Fonte: ARAÚJO, 2018.
Contudo, embora a meta inicial dos governantes nordestinos tenha sido consolidar a região como destino turístico internacional, os fluxos representativos desse movimento ficaram bem abaixo do nacional. Logo, o fluxo turístico nacional se apresenta reforçado por um fluxo de caráter regional significativo, no qual vislumbrar-se outra região nordeste, que não se justifica em um turismo de massa, mas uma região pautada no rebatimento de um fluxo turístico regional na zona costeira, composta das regiões fitogeográficas: Zona da Mata, Sertão e Meio-Norte. Na qual, a densidade histórica suscitou um maior nível de integração na Zona da Mata, dando uma maior vazão para os fluxos turísticos na atualidade. Por outro lado, há uma menor faixa de integração no Sertão e principalmente no Meio-Norte, o que justifica a existência de um plano de caráter regional, o CEPIMA (Ceará, Piauí e Maranhão), para a implementação de infraestrutura.
Assim, para entendermos o turismo regional, é essencial perceber como a construção das políticas públicas de turismo, mesmo sendo caracterizadas por um turismo de massa de caráter internacional, possibilitaram que as suas ações tivessem impactos na infraestrutura, que inicialmente não foram pensadas para o turismo regional, mas acabaram sendo apropriadas e beneficiadas por este.
Para maiores informações e detalhamento, consultar o texto base:
ARAÚJO, Luana Lima Bandeira. Turismo regional no litoral do nordeste brasileiro. 2018. 245 f. Tese (Doutorado em Geografia) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2018. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/35604