Área do cabeçalho
gov.br
Portal da UFC Acesso a informação da UFC Ouvidoria Conteúdo disponível em:Português
Brasão da Universidade Federal do Ceará

Universidade Federal do Ceará
Laboratório de Planejamento Urbano e Regional

Área do conteúdo

Em Direção à Praia: A Contribuição da Vilegiatura Marítima e das Segundas Residências para a Urbanização Litorânea

Adaptado por:

Kaio Duarte Vieira

duartekaio1@gmail.com

Universidade Federal do Ceará

Os espaços litorâneos nordestinos agregam uma gama de atividades que reproduzem atividades das mais diversas, acomodam turistas nacionais e internacionais, fonte de renda para trabalhadores, comércio, além das práticas de lazer à praia. Funcionam como locus para a urbanização. Nesse contexto, necessita-se definir o que é vilegiatura: “Entende-se por vilegiatura marítima a prática social de estabelecer estadia em um determinado lugar, de maneira não compulsória e sazonal, para fins de lazer em função de determinadas amenidades naturais e artificializadas” (PEREIRA, 2012, p. 17).

Para explicar a capacidade de atração desses centros urbanos litorâneos hoje, é fundamental entender que tanto a esfera econômica privada e pública ajudaram nessa construção. O PRODETUR I e II, na década de 1990, foram planos de desenvolvimento estratégico no litoral do Nordeste e impuseram modernização desses espaços. A Construção e manutenção de aeroportos, estruturação de vias públicas, criação de redes de esgoto e de energia foram investimentos que serviram de base para a organização do território e atração de investimentos turísticos advindos do mercado nacional e internacional.

É comum vilegiaturistas buscarem na região do litoral estadias em função do período de férias, feriados, tanto para o lazer como para os negócios. Os Empreendimentos Turísticos Imobiliários são um dos atores principais da vilegiatura marítima moderna no Nordeste. São projetados e construídos ao longo de todo litoral nordestino, principalmente, Fortaleza, Salvador e Recife, ocupam uma vasta área a qual compreende spas e campos de golfe.  Essa forte demanda de ocupação sinaliza para o mercado imobiliário como um ponto positivo para investimentos no Nordeste, além de atrair público de alta renda para essas áreas (Figura 1).

Figura 1 – Investimentos Externos Aplicados Diretamente no Setor Imobiliário-Turístico nos Estados de Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte

Nesse sentido, a possibilidade de construir na área primeiras e segundas residências cresceu no espaço litorâneo. Na Região Metropolitana de Fortaleza, esse tipo de atividade impactou as cidades de Cascavel, Caucaia, São Gonçalo do Amarante e Aquiraz, com a valorização do valor do solo e aumento da oferta de emprego, por exemplo. Fato que explica o alto valor dos investimentos aplicados em modernos empreendimentos, e em específico o município de Aquiraz, há concentração de resorts, o principal deles Aquiraz Riviera, que destina-se ao público de alta renda. Outro tipo de ocupação, de uso ocasional, responsável também pelo processo de urbanização do litoral, possui como principal motivo de escolha, os aspectos sociais, culturais e naturais. A Bahia, nesse caso, possui maior concentração de residências de uso ocasional, enquanto que o Ceará aparece em segundo lugar, puxado principalmente pelos municípios de Caucaia e Fortaleza (Figura 2).

Figura 2 – Distribuição de Residência de Uso Ocasional nos Estados Nordestinos

Cabe explicar também, que as atividades de lazer se modificam à medida que a urbanização chegou à praia, antes, predominava a pesca e a atividade portuária, no entanto, na busca de espaços tranquilos e mais próximos à natureza, vilegiaturistas buscaram no litoral estabelecer outros tipos de ocupação. Hoje, com processo de urbanização em curso, esses espaços são utilizados para práticas de esportes náuticos, à beira mar, além de praças e de parques temáticos, como é observado na Praia do Presídio, em Aquiraz.

A partir da implementação de estruturas urbanas básicas, da incorporação do litoral para fins de lazer e estadia e do investimento privado do mercado imobiliário, acentuaram o processo de metropolização, desse modo, estruturas urbanas, serviços e comércio foram replicados para os municípios litorâneos vizinhos. A economia dos espaços metropolitanos, juntamente com as capitais, ganharam fôlego e representam grande parte da atividade turística dos estados nordestinos, além de contribuir para o desenvolvimento regional, o que possibilita a formação de novos centros urbanos cada vez mais interligados.

 

Texto de Referência:

PEREIRA, Alexandre Queiroz. A urbanização vai à praia: contribuições da vilegiatura marítima à metropolização no nordeste do Brasil. 2012. 350 f.:Tese (Doutorado em Geografia) – Universidade Federal do Ceará, Centro de Ciências, Departamento de Geografia, Programa de Pós-Graduação em Geografia, Fortaleza-CE, 2012.

 

Logotipo da Superintendência de Tecnologia da Informação
Acessar Ir para o topo