O Imobiliário Turístico no Nordeste: Macrourbanização a partir de Resorts Residenciais no Litoral
ADAPTADO POR:
Miguel Ângelo de Lima FONSECA
miguelangelo544@gmail.com
Universidade Federal do Ceará
O Espaço do Litoral nordestino passa por um incessante processo de transformação. Vários vetores podem condicionar essas mudanças, neste caso falaremos sobre transformações proporcionadas pela implantação, e expansão, de empreendimentos hoteleiros associados a segunda residência. Partimos das hipóteses, que o imobiliário turístico no nordeste é uma realidade, e que há grande volume de recebimento de capital estrangeiro nesses empreendimentos. De modo geral, Após décadas do marco inicial do desenvolvimento das práticas de vilegiatura, no litoral dessa região, é interessante refletir acerca das consequências da implantação desses megaprojetos imobiliários nesses espaços, e apontar as complexidades existentes em seus processos de criação e expansão. Assim, o processo de macro urbanização litorânea, que possui ocorrência em países como a Espanha, pode ser utilizado hipotéticamente, como parâmetro para compreender as dinâmicas que ocorrem no litoral nordestino, e posteriormente serão explanados os porquês.
O estado aparece desempenhando um papel central por meio de investimentos para viabilização de infraestruturas, por isso, a compreensão acerca das políticas públicas de turismo Nordeste são importantes marcos para entender que tipo de governança do território é feita pelo Estado, e a quais seguimentos sociais elas beneficiam. Assim, entende-se que os espaços estudados passam por um reordenamento territorial desencadeados com chegada de megaempreendimentos associados a essa vilegiatura turística, territorialidades essas que se estabelecem se sobrepondo sobre territórios com logicas já estabelecidas, que desencadeiam o surgimento de conflitos entre, povos que primeiro estabeleciam territorialidades nesses espaços, e do Estado e Grandes investidores imobiliários. A ênfase maior dessa discussão está demarcada no recorte temporal dos últimos dez anos (pesquisa de 2012), com ênfase nos estados mais dinâmicos: Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará e suas regiões metropolitanas. (MAPA 1)
A macro urbanização foi utilizado como uma lógica, para entender as transformações litorâneas nordestinas, mas primeiro foi preciso aproximar-se do turismo residencial Espanhol, que devido ao papel do Estado somado a fatores climáticos, baixos preços do solo e ambiente político estável, foi vista pelo capital (empresas) como um lugar propício à implantação de megaprojetos imobiliários em seu litoral. Assim, são analisadas semelhanças desse modelo, com modelo brasileiro, analisando como essa macrourbanização causou na Espanha diversos problemas socioambientais, uma urbanização desenfreada do litoral, apresentando semelhança ao espaço litorâneo nordestino da contemporaneidade. Esses empreendedores que anteriormente estavam concentrados na Espanha, passam por um movimento rearranjo em direção a países em posições mais “subalternas”, falando em terminologia capitalista, de Terceiro mundo, como o exemplo o Brasil.
Segundo as analises, são reafirmadas papel central do estado na materialização de divisas em sua atuação nesses espaços litorâneos, promovendo, facilitação de infraestruturas para captação de investimento do capital imobiliário, e promovendo a valorização do espaço (mapa 2).
Dessa forma, o Prodetur aparece como política pública, que em suas diversas fases, foi o modelo de execução que buscou viabilizar a lógica anteriormente descrita. Esse plano prioriza ações de investimento em rodovias, aeroportos e saneamento básico, para viabilizar o turismo nesses espaços (mapa 3). Sobre o perfil dos empreendimentos de grande envergadura (resorts e complexos turísticos), é percebido a ocorrência de sua implantação em territórios interurbanos, movimento esse que deriva da necessidade de infraestruturas da cidade (energia, mão de obra, rodovias), as formas com função hoteleira, possuem maior presença na capital dos estados. Atualmente a maioria dos empreendimentos é de capital nacional ou misto. Todas essas evidências apontam para um questionamento que continua latente, em anos vindouros.
Referências Bibliográficas:
SILVA, Marília Natacha de Freitas. O Imobiliário-Turístico no Nordeste Brasileiro: o turismo residencial e a macrourbanização turística a partir da expansão e expressão dos Resorts no Litoral. 2013. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Federal do Ceará, Fundação Cearense de Apoio à Pesquisa.